Ciência e tecnologia

A guinada da Meta: entre o ajuste na Realidade Virtual e o foco na experiência móvel

Para uma gigante que rebatizou toda a sua identidade corporativa apostando no metaverso, a Meta Platforms parece estar realizando uma manobra brusca em direção à próxima grande revolução tecnológica: a inteligência artificial. O movimento estratégico da holding de Mark Zuckerberg não ocorre sem dores, refletindo-se diretamente na força de trabalho da divisão Reality Labs e sinalizando uma recalibragem de prioridades que valoriza, mais do que nunca, o ecossistema móvel e a gestão de conteúdo em suas redes sociais já consolidadas.

No início de janeiro, a empresa dispensou cerca de 10% da equipe do Reality Labs. As estimativas variam entre 1.000 e 1.500 postos de trabalho eliminados, afetando estúdios de jogos de realidade virtual como Twisted Pixel, Armature Studio e Sanzaru, que encerraram suas atividades. Embora a plataforma Horizon Worlds continue operando, ela o faz em um ritmo visivelmente reduzido após essa onda de cortes.

O “inverno” da Realidade Virtual e a nova estratégia

Relatórios indicam que a Meta está desviando investimentos do metaverso “puro” para focar em wearables, especificamente óculos com inteligência artificial. Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da empresa, tentou acalmar os ânimos durante o Fórum Econômico Mundial em Davos. Segundo o executivo, não se trata de abandonar o barco, mas de adequar o tamanho do investimento à realidade do mercado, já que a RV cresceu num ritmo menos acelerado do que a empresa esperava.

Palmer Luckey, cofundador da Oculus, reforçou essa visão ao lembrar que a Meta ainda mantém a maior equipe de RV do mundo, com uma margem significativa sobre a concorrência. Para ele, apesar do impacto humano lamentável das demissões, os ajustes podem ser benéficos para a saúde da indústria a longo prazo. No entanto, o cenário macroeconômico não ajuda: desconsiderando anos de recessão, os EUA enfrentam um dos crescimentos anuais de emprego mais fracos desde 2003, e os trabalhadores de tecnologia se veem no olho do furacão dessa instabilidade.

A força do mobile e o controle do usuário

Curiosamente, enquanto a divisão futurista encolhe, Bosworth destacou um crescimento tremendo do “metaverso no celular”. A ordem interna parece ser dobrar a aposta no que já funciona bem nos dispositivos móveis. É nesse contexto que as ferramentas de gestão de perfil no Instagram — o carro-chefe da empresa — ganham relevância. A plataforma segue recebendo recursos que dão ao usuário maior controle sobre sua pegada digital, permitindo “ajustar” a própria presença online sem medidas drásticas.

Um exemplo claro dessa funcionalidade é o recurso “Arquivar”. Diferente da exclusão definitiva, essa ferramenta permite que o usuário oculte fotos — seja uma única imagem ou todas as publicações antigas — mantendo-as salvas em um acervo privado. É uma solução ideal para quem deseja renovar a estética do perfil sem perder as memórias digitais.

Como gerenciar seu acervo digital no Instagram

Para quem deseja realizar essa limpeza no perfil, o processo é exclusivo para os aplicativos móveis (Android e iOS), não estando disponível na versão web para computadores. A navegação é intuitiva: ao acessar o próprio perfil tocando na miniatura da foto no canto inferior, o usuário deve abrir o menu de configurações (o ícone de três barras horizontais no topo direito).

Dentro desse menu, a opção “Sua atividade” centraliza o histórico de interações. Ao selecionar “Publicações”, abre-se uma grade com todo o conteúdo já postado. O diferencial aqui é a praticidade: clicando em “Selecionar” no canto superior, é possível marcar múltiplas imagens de uma só vez — ou todas elas, através das opções de rolagem — e tocar em “Arquivar” para ocultá-las instantaneamente do feed público.

Caso a intenção seja mais cirúrgica, ocultando apenas uma foto específica, o caminho é ainda mais curto. Basta abrir a publicação indesejada, tocar nos três pontos verticais acima da imagem e escolher a opção “Arquivar”.

Revertendo o processo

A flexibilidade do sistema móvel da Meta permite que qualquer arrependimento seja facilmente revertido. O caminho para trazer as fotos de volta é praticamente o mesmo: acessando o menu principal e a área de atividade, o usuário deve alterar a visualização de “Publicações” para “Arquivados”. Ali ficam armazenadas todas as imagens ocultas, prontas para serem selecionadas e trazidas de volta ao perfil público a qualquer momento.

Essa integração entre ajustes corporativos macroscópicos e a usabilidade fina dos aplicativos sugere que, embora a Meta esteja de olho nos óculos de IA do futuro, ela sabe que a batalha pela atenção do usuário ainda está sendo travada — e vencida — na tela dos smartphones.